sábado, 17 de novembro de 2012

Super-homem por alguns segundos


Como é bom agente se sentir livre, poderosa, dona de si. Aos doze anos, finalmente ganhei uma bicicleta. A bicicleta pertencera a um grande ciclista. Meu pai nunca pôde me dar uma bicicleta nova, então ele comprou essa, que passava mais tempo quebrada que funcionando.
Eu só tinha pedalado nas bicicletas das colegas, a famosa voltinha, por isso eu nunca aprendera pedalar bem. Quando meu pai chegou com a bicicleta fiz uma festa tão grande que quem visse pensaria que a bicicleta era nova. Aprendi pedalar como ninguém. Quando subia na bicicleta me sentia uma verdadeira ciclista. Fazia questão de ser boa no que fazia. Até que um dia...
Certa vez eu estava tão convencida de minha capacidade que experimentei fazer algo diferente. Resolvi fechar os olhos e descer a ladeirinha de minha casa até o final da rua. Ora, eu sabia pedalar sem as mãos, ficava em pé apoiada no guidon, por que não pedalar de olhos fechados, era simples, eu pensava.
Respirei fundo, sentei na sela, fechei os olhos e pedalei. Quem está com os olhos fechados não enxerga nada, e eu estava cega, no verdadeiro sentido da palavra. Quando já estava quase no final da rua, minha bicicleta fez uma volta de mais ou menos sessenta graus me desviando da reta. A bicicleta foi na direção de uma casa que ficava a um metro e meio abaixo da rua. Foi um voo sem igual, parecia Rose e Jack na proa do Titanic, o vento soprando meus cabelos, uma sensação de poder até que pof! Caí no chão a um palmo da parede da casa. Estou viva hoje graças a Deus, mas poderia ter sido meu último dia.
Essa história nos ensina que não somos nada para arriscarmos a vida à toa. Somente em Hollywood não se morre. Na vida real nos arriscamos e arriscamos a vida de outrem, fazendo rachas nas ruas, pulando de band-jump e tantas outras brincadeiras que poderá se tornar fatal para nossas vidas. Se os jovens que mergulharam em uma caixa d’água da cidade de São Paulo soubessem que custaria suas vidas a brincadeira, pensariam duas vezes antes de correrem o risco. Eles estavam cegos, assim como eu estava, felizmente para mim foi um final feliz, ainda que um pouco machucada.

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