sábado, 20 de outubro de 2012

Ou bola ou inferno




Como boa parte das crianças eu sempre gostei de jogar bola.  Não teria nada de errado com esse esporte se não fosse minha mãe buzinando no meu ouvido, dizendo que eu estava pecando.
Pecando? Como? Calma, vou explicar. Minha mãe faz parte de uma igreja que diz que seus membros não podem jogar bola, se não vão para o inferno. Hoje em dia essa igreja está mais maleável, mas na minha infância muitas diversões eram tidas como pecado. Como por exemplo: ir à praia, meninas usarem anéis, usarem calça comprida e outras coisas mais.
Foram tempos difíceis para mim, pois eu era apaixonada pelo queimado e handball. Todas às vezes que eu adentrava os portões da escola, eu pedia perdão a Deus e prometia a Ele nunca mais jogar, pois acreditava piamente que estava pecando e iria para o inferno. Então no outro dia eu estava “pecando” novamente, e de novo pedindo perdão.
Somente ao ficar adulta, ainda “pecando”, descobri ao ler as Sagradas Escrituras que inferno é sinônimo de sepultura e que até Jesus foi ao inferno e no terceiro dia ressuscitou (Salmo 16:10 e Atos 2:7 em algumas traduções ler-se a palavra inferno, em outras aparece Seol, Hades, Mundo dos mortos).  Qual não foi meu alívio ao ler essas e outras passagens bíblicas. Foi tirado um peso de minha consciência. Hoje jogo handball sem medos.
Aprendi que jogar com espírito esportivo é muito mais que uma diversão, é um exercício físico que promove saúde e bem-estar. O pecado está em querer ser melhor que nossos irmãos. Em fazer do campo de futebol uma arena de gladiadores. Sem dúvida àqueles que assim procedem irão prestar contas a Deus.

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