sábado, 27 de outubro de 2012

Conhece-te a ti mesmo


 

O post de hoje é dedicado a uma garota chamada Larissa. Ela tirou em primeiro lugar em um concurso chamado Bom de Bíblia que avaliou o adolescente ou jovem que tinha mais conhecimento das Sagradas Escrituras em Pernambuco. Entre vários concorrentes ela tirou em primeiro lugar.

Por que cito essa garota neste texto? Primeiro porque gosto muito dela, segundo porque ela teve umas tonturas há alguns dias atrás. Esse fato me levou a pensar o porquê tantos adolescentes inteligentes, bons em redações ou matemática passam mal? O que está acontecendo com os jovens de hoje?  Será que eles não têm ciência do seu próprio estado físico, mental e espiritual?
A filosofia de Sócrates nos leva a fazer uma reflexão acerca do nosso EU. Será que nossos jovens estão nutrindo bem o corpo, o intelecto e o espírito? Que tipo de nutrição está fazendo parte dos seus cardápios diários?  Estão se alimentando de frutas, verduras, cereais e outros alimentos saudáveis? Ou os Fast Food é a tônica do momento?  Estão lendo bons livros, ouvindo boa música? Acredito que a maioria dos adolescentes e jovens não sabe ou não tem força para optar pelo que é melhor.
Devemos olhar nosso corpo tanto no exterior como também no interior. Observar se não há nada de errado conosco. Por exemplo: tenho alguma mancha na pele, minhas fezes são pastosas ou diarreicas, tenho dores de cabeças constantes, meu cabelo cai com frequência, às unhas são quebradiças, lacrimejo muito ou pouco, tenho secreção nasal ou vaginal? O interior também deve ser analisado: tenho mudança de ânimo repentidamente, ou seja, fico triste e com raiva com facilidade, me isolo, sou bastante tímido, tenho fobias? A resposta para todos esses questionamentos está em você se conhecer. Só podemos nos ajudar ou buscar ajuda de profissionais qualificados se fizermos uma autoanálise.
As mudanças para melhor virão à medida que me olho, não como um narcisista, porém, com um olhar crítico de quem que ser curado, ou melhor, de quem quer sempre ter saúde. Dessa forma, desejo a todos vocês muita saúde e para você minha querida Larissa beijos e um grande abraço.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O cuscuz nosso de cada dia


Hoje é um dia especial, o dia em que completo 44 anos. Agradeço a Deus por tantas histórias que acumulei no decorrer de minha existência, histórias alegres e tristes. Todas contribuíram na edificação do caráter que tenho hoje.
Agradeço ao Pai porque sobrevivi a uma época difícil, a época da ditadura. Nasci no final do governo de Ernesto Geisel e cresci durante o governo do Presidente Figueiredo. Nessa época a vida no Nordeste era muito precária.
Fico pensando em quantas vidas foram vencidas pelo monstro da fome. No sertão uma seca desgraçada, na cidade a luta de muitos na construção civil para poder levar um bocado de pão pra casa. Vi muitas mães esperarem seus maridos ao entardecer com uma feirinha que de tão pequena muitas vezes não durava nem a semana toda. Uma feira escassa, a base de cuscuz, feijão e farinha.
Esses três alimentos eram à base da família nordestina. Muitos pais, principalmente os que moravam na zona rural arredavam para o sul sem olhar pra trás, pois ou era deixar a terra natal ou morrer de fome. Meus avós, meus pais e eu estivemos também inseridos nesse contexto de miséria. Minha avó que além da fome sofria com o descaso do marido partiu para São Paulo onde terminou de criar todos os filhos com exceção de meu pai que já era casado e tinha filhos decidiu ficar e lutar..
O lema de pai era “só deixo o meu Cariri no último pau de arara”. Assim ele foi ficando, trabalhando como caminhoneiro e depois taxista para sustentar os seis filhos, e a vida ia passando aos trancos e barrancos. Muitas vezes, tinha feijão, mas não tinha arroz, tinha arroz, mas não tinha feijão. Nós comíamos cinco centímetros de carne aos domingos, Durante a semana era bife do oião, sardinha, salsicha e por aí vai.
Hoje posso olhar pra trás e perceber que eu e tantos outros nordestinos estarem vivos foi um milagre de Deus. Milagre concebido por esta grande invenção: o cuscuz. Não sei quem o inventou, mas sei que salvou da tragédia milhares de nordestinos que não tinham o que comer. Quanto de nós comemos  cuscuz pela manhã, à tarde e à noite. Esse alimento tão rico em ferro e de baixo custo nutriu muitos trabalhadores e crianças como eu, livrando de uma tragédia tão grande ou maior que a peste Negra na Idade Média, o Holocausto, Hiroshima e Nagasaki na segunda Guerra Mundial e tantas outras calamidades universais.
Em minha opinião foi dom dado por Deus a alguém que sem prever a dimensão do benefício inventou tão delicioso alimento, alimento de ouro posso assim dizer, pois ajudou-nos a estar vivos hoje para contarmos a História.

sábado, 20 de outubro de 2012

Ou bola ou inferno




Como boa parte das crianças eu sempre gostei de jogar bola.  Não teria nada de errado com esse esporte se não fosse minha mãe buzinando no meu ouvido, dizendo que eu estava pecando.
Pecando? Como? Calma, vou explicar. Minha mãe faz parte de uma igreja que diz que seus membros não podem jogar bola, se não vão para o inferno. Hoje em dia essa igreja está mais maleável, mas na minha infância muitas diversões eram tidas como pecado. Como por exemplo: ir à praia, meninas usarem anéis, usarem calça comprida e outras coisas mais.
Foram tempos difíceis para mim, pois eu era apaixonada pelo queimado e handball. Todas às vezes que eu adentrava os portões da escola, eu pedia perdão a Deus e prometia a Ele nunca mais jogar, pois acreditava piamente que estava pecando e iria para o inferno. Então no outro dia eu estava “pecando” novamente, e de novo pedindo perdão.
Somente ao ficar adulta, ainda “pecando”, descobri ao ler as Sagradas Escrituras que inferno é sinônimo de sepultura e que até Jesus foi ao inferno e no terceiro dia ressuscitou (Salmo 16:10 e Atos 2:7 em algumas traduções ler-se a palavra inferno, em outras aparece Seol, Hades, Mundo dos mortos).  Qual não foi meu alívio ao ler essas e outras passagens bíblicas. Foi tirado um peso de minha consciência. Hoje jogo handball sem medos.
Aprendi que jogar com espírito esportivo é muito mais que uma diversão, é um exercício físico que promove saúde e bem-estar. O pecado está em querer ser melhor que nossos irmãos. Em fazer do campo de futebol uma arena de gladiadores. Sem dúvida àqueles que assim procedem irão prestar contas a Deus.

sábado, 13 de outubro de 2012

O inverno vai passar


O inverno do ano passado foi de muita chuva. Fazia um mês que Bug tinha me deixado. Eu ainda estava triste, não queria mais cachorro vira-lata. Pedi a Deus um cachorro de raça.
Dificilmente eu vou à igreja numa quarta-feira porque trabalho, mas nessa quarta eu fui à igreja por algum motivo que não lembro no momento. Assisti todo culto. Ao terminar o culto escutei um burburinho na saída, algumas irmãs estavam ao redor de um cangaço de cachorro dizendo: __coitadinho, bichinho, vai morrer. Quando me aproximei para ver a cena todas olharam para mim como quem diz chegou à solução.
O cachorro era pequeno e muito magro. Tinha somente o coro e o osso. Ele estava todo encolhido no canto da porta de saída da igreja. Tinha se arrastado até ali por causa de uma chuva torrencial que caía lá fora. Ele estava todo molhado, tremendo de frio, sujo e faminto.
As irmãs olharam para mim e me persuadiram a adotar o cachorro com a desculpa de que ele iria morrer se alguém não o socorresse e de que eu precisava de um cachorro. Fiquei compadecida, pois entendi naquele momento se eu não fizesse alguma coisa, ele morreria. Pedi ao meu esposo para ir pra casa buscar um lençol velho para poder transportá-lo até lá. Quando ele voltou enrolei-o no lençol e levei-o pra casa.
Em minha casa coloquei-o num lugar seco e comecei alimentá-lo com leite. Dei banho nele depois de três dias, ele gripou. Tirei os cascões que estavam agarrados ao corpo quase moribundo do animal. Após uma semana de alimento ele começou a andar e após duas semanas voltou a latir. Passou-se um ano que Branco _ dei este nome porque ele é todo branco _ venceu todas as dificuldades que um inverno pode trazer. Nessa mesma época ganhei uma cadela Pastor Alemão. Os dois me presentearam com um lindo cachorrinho que chamei de Montanha, pena que ele não cresceu, ficou do tamanho do pai.
Se você passar por alguma situação difícil, seja o que for, lembre-se, o inverno vai passar. Nunca desista de lutar. Depois de uma noite sombria e solitária vem um lindo sol para iluminar a vida. Branco achou sua salvação na igreja, se não tivesse conseguido chegar até ali talvez não estivesse vivo hoje. Deus me presenteou com esse animal meigo e carinhoso que todos os dias nos acompanha até a parada de ônibus, conhece o barulho do nosso carro e que chora quando vê minha família saindo. Foi assim que esqueci Bug, o cachorro que me abandonara.





Apresento-lhes Branco.

sábado, 6 de outubro de 2012

O dia em que fui traída


Esse dia foi um dia triste para mim. Saí de casa por volta das seis e trinta da manhã para trabalhar, deixei-o para trás com um aceno, por volta do meio-dia voltei para almoçar, ele não estava. Procurei-o ao redor e não o achei. Saí novamente para trabalhar “com uma pulga atrás da orelha.” Voltei à tardinha e não o vi. Imaginei que talvez ele pudesse está na casa de alguém. Uma pessoa que todos os dias passava em frente a minha casa e cortejava-o.
Fui à casa dela conferir, qual não foi minha tristeza ao vê-lo lá sentado ao lado dela. Fiquei triste e com muita raiva, me controlei e pedi para ele voltar pra casa. Ele fingiu que estava voltando, eu vim logo atrás dele, quando cheguei em casa ele não estava. Fiquei chateada e então resolvi ligar para casa dela para saber se ele tinha voltado para lá. O sangue subiu a cabeça quando ela confirmou o que eu, no meu íntimo, já sabia.
Bug fora pra mim um presente de grego. Quando saí de apartamento para morar em casa, minha sogra deixou um filhote de cachorro na minha porta alegando que era um presente pra meu filho mais novo, mandei-a levá-lo de volta porque eu sabia que ia sobrar pra mim. E realmente, sobrou. Eu dava banho nele, preparava a comida e cuidava quando estava doente. Ele quase morreu por três vezes e eu cuidei dele como quem cuida de um filho.
Senti-me traída. Nunca pensei que um cachorro poderia negar seu dono.  O dono pode ser mendigo, lá vai o cachorro todo sujinho e magrinho seguindo ele. Bug era um cachorro tratado como rei, mas que preferiu voltar pra sua ex-dona. Ela o tinha dado a minha sogra que o deu para o meu menino.
Aprendi a superar a raiva e perdoei a escolha que ele fez. Quando ele adoecia sua nova dona vinha até mim para pedir remédios para ele, e eu sempre dava, pois considerava que ele continuava sendo responsabilidade minha. 

Faz quinze dias que ele adoeceu e faleceu na companhia dela.  Fiquei triste ao saber a notícia, mas feliz por ter sido a traída e não a traidora.

sábado, 29 de setembro de 2012

Beijo frustrado


Na década de oitenta os beijos cinematográficos de Hollywood despertavam nos jovens uma euforia transcendental.
Enfeitiçadas por essas cenas e também algumas revistinhas de história de amor, aos treze anos de idades participei de uma brincadeira na qual as participantes teriam que manter constantemente uma sigla escrita no braço.  Se não me falha a memória a sigla era a seguinte: AABC (Abraço Apertado Beijo Colado), quem fosse pega sem a sigla escrita no braço teria que pagar um beijo em um garoto escolhido pela colega que flagrou a falta da sigla.
Os meninos amavam essa brincadeira e as meninas também, porém, eu nunca quis ser flagrada, pois ainda era BV. O dia fatídico foi quando uma de minhas colegas observou que eu tinha esquecido em escrever a sigla antes de sair de casa. Não tive como escapar. O pagamento do beijo aconteceria à noite longe dos olhos de minha mãe, é claro!

Ao chegar a hora crucial meu coração batia como um bombo. Minhas mãos pingavam suor, mas que ninguém percebesse isso. No local estavam presentes algumas garotas e garotos para testemunharem o grande feito.
Um minuto para aproximar meus lábios dos lábios do rapaz que havia sido escolhido e que não por coincidência também era ligado em mim tornou-se uma eternidade. Bem, rompidos todos os obstáculos menos a vergonha quando meus lábios sentiram os dele, dei-lhe uma tremenda mordida no lábio inferior que ficou uns quinze dias roxo e inchado.
Com vergonha passei alguns dias sem falar com o garoto. Passado o vexame reatamos a amizade e um namorico começou. Descobri que ninguém deve influenciar você a fazer algo que você não quer ou que seja errado. Devemos nos posicionar quanto ao que queremos, ou então, seremos marionetes nas mãos dos outros. 

sábado, 22 de setembro de 2012


PitangaRoubo fracassado

Eu vim de uma família muito pobre, muitas vezes, eu e meus irmãos não tínhamos biscoitos para o lanche, nem sequer ouvíamos falar dos baratos biscoitos recheados. Tínhamos que aguardar a próxima refeição para podermos comer. Muitas vezes nosso lanche era suprido pelas árvores do quintal.
Na ausência de frutas no quintal, eu, que era a mais “esperta” aprendi com facilidade pegar pitangas no quintal da vizinha. Já estava perita no assunto. Todo dia atravessava a cerca de arame farpado e colhia com todo amor  suculentas pitangas. Ô fruta deliciosa!
Não era a fome que me motivava a fazer isso, pois sempre tínhamos as três refeições, mas a gula de degustar uma fruta roubada, acredito, era meu maior estímulo.
 Certo dia, colhi o máximo de pitangas que pude aparando-as na barra de minha blusa. Estava cega, pois não percebi que no meio delas veio também uma pimenta. Elas eram tão parecidas que não notei a intrusa. Saboreei uma por uma até que foi a vez da pimenta. Minha autoconfiança havia nublado minha visão. A boca começou a queimar, arder, meus lábios pareciam que estavam pegando fogo. Somente depois de beber muita água e comer açúcar a dor foi diminuindo.
Minha vizinha sentiu-se incomodada com o sumiço das pitangas, então teve a brilhante ideia de amarrar uma pimenta bem vermelhinha no meio das outras frutas. Ela queria dar-me uma lição e conseguiu. A lição de que “nem tudo que parece é”. Algo pode parecer maravilhoso aos nossos olhos agora e depois arder como pimenta. Por exemplo: um namorado ou uma namorada poderão parecer uma deliciosa pitanga e depois queimar como uma pimenta. Uma amizade poderá nos envolver de tal forma que não conseguimos enxergar que ao invés de pitanga ela é uma pimenta, nos arrebatando para o mal, transformando o doce de nossa vida e muitas vezes de nossa família num ardor igual o da pimenta. Portanto, abra bem os olhos para não errar em suas escolhas.